Wagner Tadeu Ligabó

The Bear!

Cirurgião Cardíaco

Vocais

Contrabaixo

Violão

Guitarra


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Ligabó

Meu nome é Wagner Tadeu Ligabó . Já nasci arrebentando.Vim ao mundo nascido de parto normal, com 5.020 gramas de peso em 15 de novembro de 1952; minha mãe está com este assunto entalado até hoje.

Na minha família sempre teve figuras com vocação para a fama, desde mafioso (o sobrenome Ligabó é raríssimo e a primeira vez que eu tomei contato com outro Ligabó foi na década de 60 – Gaetano Ligabó, manchete de todos os jornais da época, perigoso mafioso preso em São Paulo) até artistas como a minha prima Marilena que foi vedete na década de 50 e me levou a um show da cantora Ângela Maria na Radio Nacional, na Rua das Palmeiras quando eu tinha seis anos.Quando terminou a apresentação, na saída da artista no meio daquele tumulto, não sei como fui parar em seus braços e até hoje ouço sua voz aveludada dizendo: - “Sabia que você é um menino lindo?” e então fui beijado na bochecha. Parecia um sonho.... aquela fragrância de perfume “Carícias de Bombeiro” ficou por uma semana e a marca do batom carmim pelo menos por quatro dias pois não mais lavava o rosto.Aquele foi o beijo da libertação!! O trampolim para o estrelato!!! Babaloo Aiô!!

Porém a influencia mais forte para música foi herdado do meu melhor amigo- o meu saudoso pai –o velho Argemiro Ligabó que sempre conviveu no meio artístico tendo tocado com Chico Alves, “a voz de ouro”, falecido de acidente na Dutra no ano em que nasci. Meu pai tocava violão de 6 e 7 cordas, era atrevido na sanfona e bom de percussão além de ser um sarrista especial, alias o melhor bom humor que já vi.Morro de saudades! (“I‘ll see you in my dreams”).

Sempre estudei no Instituto de Educação “Caetano de Campos”; desde o Jardim da Infância até o Científico.Em 1964 formamos um conjunto com alunos da classe embalados pelos Beatles. Eu disse que era baterista porém nunca tinha posto a mão em uma baqueta; era um baterista intuitivo. Meu pai, dentro da desconfiança e grana , me comprou uma bateria da marca Caramuru . O nome é verdadeiro; para ser mais real só se tacasse fogo!! Era uma bosta realmente, mas deu para começar e em 1967 já com o sucesso como banda mirim o velho Ligabó me deu uma bateria Gope de madre pérola branca, o top da época e custou 600 não sei o quê, acho que cruzeiros , uma grana preta na época.

O nome da banda não podia ser mais presunçoso e original: “Os Topinhos”!! Meigo!!! Os caras da formação eram: George Meisel (guitarra solo e voz), Alex Reiter (guitarra base e voz) , Nelson Calbucci (piano e que piano!!!), Décio D’Arco (baixo) e eu.O empresário era o pai do Alex, o seu Otto que tinha boas ligas no mundo artístico. Tocamos regularmente de 64 a 69, basicamente com o mesmo time; passaram pela banda a turma da Aclimação: o Capezzuti (baixo), Carlos (bateria), Omar (piano, que tocava nos “Gonks”) e o Pudim (espetacular guitarra solo) . Iniciei como baterista e à medida que ia saindo alguém, eu por ser o menos fresco, topava tocar o que faltava - passei pela guitarra e terminei no baixo.

Tocamos fixo no Círculo Israelita de São Paulo e no Barra Limpa, restaurante do rei Roberto Carlos na Avenida São Gabriel ; no programa de TV infantil “Pim Pam Pum – Estrela “ na Tupi, canal 4 e fazíamos o “esquenta” do auditório do programa Jovem Guarda da TV Record, no Teatro da Consolação.Foi a época que cresci com as harmonias e manhas no mundo da música pois só tinha gente “cobra” nos bastidores e ensaios.(muitas dicas de bateria do Jurandir dos Jet Blacks e de baixo do Bruno do RC3 - se lerem este relato, saudade e mandem notícias)

Fizemos por 3 anos consecutivos duas feiras anuais: o Salão da Criança e a FENIT, feira de moda têxtil,contratados pela Rhodia, com direito a modelitos de uniforme desenhados especialmente.Eram realizadas no Ibirapuera e eram eventos “top” da época. Foi na FENIT de 1967 que conheci o Conrado, numa competição de bandas. Ele era do Mona e eu do HAL 9000 (nome do computador inteligente do filme “2001 Uma Odisséia no Espaço”) . Eles tocaram “Something” e nós “Sunny”; a parada foi boa mas eles levaram só porque tocaram com duas baterias – a maior frescura, mas eu sei assimilar bem a derrota porra! A nossa praia também era tocar temporadas de férias em hotéis na cidade serrana de Águas de Lindóia - Hotel Tamoio, Hotel da Fonte e Hotel do Lago. Era o máximo - dava muito autógrafo, comia muito mas era magro!!.

Em 1978, num tremendo acaso encontro o Conrado num hospital em Guarulhos já como médicos plantonistas. Muita coincidência, 11 anos depois; parece programa de TV que reúne irmãos desaparecidos!! Tocávamos nas folgas dos plantões e nos tornamos amigos categoria puta – puta amigos!!!!! e me tornei o seu maior fã, pois as bandas em que tocava e cantava só tinha feras.Aproveito a ocasião para deixar aqui registrado: o Conrado é uma das vozes mais lindas que já ouvi; não é viadagem e nem carinho de irmão, é a mais pura verdade! Se você ainda não ouviu, experimenta!!

A banda acabou em 1969 e não toquei mais. Em 1984 o meu irmão caçula, o Alberto, 10 anos mais novo (o meu outro irmão, o Wander, também manda bem no violão em MPB) fundou a banda de rock Banida do Inferno “com a turma da engenharia USP de São Carlos e me convidou para tocar teclado, o único lugar que tinha .Era a moda dos sintetizadores e comprei um Korg Poli 800 e me transformei em tecladista do dia para a noite. Tocávamos em Porto Ferreira e ficamos 3 anos no ar”.

Já casado, resolvi curtir música só através de LPs (hoje por CDs).Vim trabalhar e morar em Jundiaí em 1984 e em 1989 reencontro o Conrado pela segunda vez, após os mesmos 11 anos, numa reunião de lojistas de um shopping da cidade. A partir daí começamos a tocar juntos nas tardes de sábado para espantar o stress e não paramos mais.E o ciclo dos 11 anos se repete: o nosso site é lançado 11 anos após a primeira apresentação do NEP !

Considero-me um artista da vida que toca e canta com e para os amigos com o mesmo prazer que sorri , chora e adormece...Abençoados sejam os nossos bons momentos e o NEP é um deles !!